Psicoterapia para quê?

Considerações sobre a validade do processo terapêutico.

Amanda Amude – CRP: 106.891

Nessa jornada como psicoterapeuta clínica, observo que na maioria das vezes quando uma pessoa vem em busca de terapia seu objetivo é aliviar o sofrimento e se livrar de uma dor constante, que a torna descrente de si e da própria vida. Ou então, pode ser que não haja uma questão específica, mas existe uma busca por autoconhecimento com intuito de melhorar a qualidade de vida.

Seja por um motivo, ou por outro, uma premissa importante a ser considerada é a vida como um processo dinâmico e contínuo, no qual a pessoa possui limitações, mas também, habilidades a serem desenvolvidas. Cada vez que o indivíduo torna-se consciente de como ele é, de suas dificuldades, da maneira como funciona e sua capacidade de solucionar os dilemas existenciais, ele mesmo poderá refletir, compreender a dinâmica da realidade posta e criar as condições necessárias para sanar suas necessidades no aqui-e-agora, de maneira saudável e satisfatória.

Atrelada a essa capacidade de ajustar-se criativamente, é importante levar em conta a liberdade como força motriz para realização das próprias escolhas, e, assim, viver de modo original e autêntico.

Dessa forma, quando as pessoas se perguntam Para Quê Fazer Psicoterapia, pode-se dizer que fazer psicoterapia é como se olhar no espelho, e conseguir se enxergar para além do óbvio, para além da sua zona natural de conforto – para além das desculpas, das tentativas de autoengano. Ou seja, o processo psicoterápico aproxima a pessoa das suas verdades, intensifica o conhecimento de si e das relações que estabelece, e com essa consciência ampliada torna-se possível transformar-se, pois a pessoa aprende:

⇒ Reconhecer melhor suas necessidades e a melhor maneira de saná-las, sem necessariamente tornar-se uma pessoa egoísta;
⇒ Fazer escolhas mais adequadas e responsabilizar-se por elas;
⇒ Estar atento a si, identificando e respeitando seus limites, o que viabiliza, também, o respeito ao outro;
⇒ Experimentar sensação de maior liberdade ao compreender melhor suas possibilidades de existir, favorecendo o desprendimento de uma existência de aparências;
⇒ Ressignificar situações mal acabadas, ou seja, atualizar os pensamentos, os sentimentos e as ações antigas e automatizadas que perduram;
⇒ Usar além do intelecto, sensações, emoções e sentimentos ao agir sobre os conflitos diários, integrando razão e emoção, transformando seus padrões, a fim de tornar os relacionamentos saudáveis e enriquecedores.

Em uma primeira leitura não parece uma processo muito fácil conseguir dar conta de tantos aspectos que influenciam a vida, no entanto, com o auxílio da terapia, a pessoa pode construir uma alternativa ao processo reativo e engessado de respostas usuais, posicionando-se de forma mais ativa e criativa diante dos desafios inerentes à vida e aceitando as responsabilidades do caminho escolhido.